22 de abril de 2010

Depressão, um mal devastador.



Dos males que têm assolado a humanidade, a depressão é um dos mais perigosos. Ela se infiltra de maneira hipócrita na vida das pessoas e se instala, conduzindo e condenando a sua vítima a uma vida quase vegetal. No princípio, apenas uma tristeza; depois vem cansaço e desânimo até que aos poucos ela vai matando todas as forças vitais; a pessoa que sofre desse mal não vê nenhuma perspectiva para o futuro, acha que o presente não é interessante, não vê porta de saída e, pior, não sente vontade de vê-la.


A pessoa depressiva se sente incompreendida e se isola. Se ninguém a entende não há por que tentar se explicar. Por outro lado, o sentimento de abandono e solidão pode tornar-se imenso e pesado. O simples fato de viver é um fardo pesado demais para se carregar.


Ela pode ser causada por várias coisas: perda, de uma maneira geral: a morte de alguém que se ama; perda de um trabalho, amigo, namorado, enfim, de uma situação estável. O medo do dia de amanhã, a incerteza do futuro. O sentimento de responsabilidade diante de um nascimento, coisa comum entre as mulheres que acabam de dar à luz, explicado clinicamente pela baixa de hormônios, também causa depressão. Há artistas que não suportam o peso da fama. Uma vida monótona e vazia também conduz à depressão.


Acredito que as pessoas que levam a vida com mais seriedade tenham mais chance de tornarem-se depressivas. As pessoas que pensam demais acarretam mais coisas sobre si mesmas. A ajuda clínica pode ser benéfica, mas é preciso ir muito além para se ver livre dessa doença.


Conviver com um depressivo é difícil, pois por mais que a gente diga para a pessoa reagir, olhar para a frente, esta só vai sair desse buraco profundo se ela mesma sentir que quer sair. Podemos, talvez, servir de muletas, mas não de cadeiras de rodas para essas pessoas. Não podemos carregá-las nos braços o tempo todo, mesmo se no mais íntimo do nosso coração é o que gostaríamos de fazer. Mas há pessoas que não andam porque se recusam a andar; outras morrem porque decidem não mais viver e não há nada que possamos fazer. Podemos tentar ajudar a pessoa a pensar positivo. Mas só pensar positivo não basta; é necessário agir em função dos pensamentos. E é isso que precisamos compreender e fazer com que compreendam.


E esse mal devastador acaba não só com a pessoa atingida, mas se insinua em volta de todos aqueles que o cercam. Lidar com um depressivo é duro, pois dá sentimento de insuficiência, de incapacidade, de culpabilidade. Se não há um resultado, acabamos nos perguntando se não poderíamos ter feito uma coisinha a mais para ajudar, para levantar a pessoa e acabamos por nos sentir responsáveis, o que é muito perigoso para o nosso próprio equilíbrio.


Mas, querem saber de uma coisa? O importante é que façamos a nossa parte. Que estejamos do lado, que estendamos a mão, que oremos, juntos ou sozinhos. O importante é que amamos e sabemos que amamos a pessoa. Mas, ajudando, que saibamos estar o suficiente distantes para não nos deixar contagiar. Talvez um cego entenda melhor o outro, mas ele será melhor guiado por alguém que enxerga normalmente. Nesse caso, melhor é estar forte para tentar segurar a barra; estar firme caso o outro precise de estaca; estar alegre caso um sorriso seja necessário; ter um canto nos lábios para afastar a tristeza e um coração cheio de amor capaz de compreender, aceitar e ajudar e ainda assim continuar inteiro.
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Letícia Thompson




12 de abril de 2010

ACREDITE !



A crença, a fé e a esperança são, a meu ver, essenciais à sustentabilidade da nossa coragem para enfrentar, sem sucumbir, os grandes desafios das nossas vidas. Esse tema, no entanto, passou a ocupar espaço em minhas reflexões, desde que Marcelo Dourado, campeão do BBB10, exibiu no seu braço esquerdo a frase “SEM FÉ”, tatuada em tinta preta. Muitos a interpretaram equivocadamente, atribuindo-lhe um sentido religioso, que afirmaria o ateísmo do rapaz.


Depois, ele mesmo explicou que a sua falta de fé nada tinha a ver com Deus. Não. Ele fizera a tatoo, após sair do BBB4 e, fora do confinamento sofrera toda sorte de vicissitudes, perseguições, acusações falsas e injustas, além de ter tido as portas fechadas para as oportunidades que buscava de trabalho, quando percebera que a generosidade e a solidariedade não existiam para ele. Amargurado, execrado e com a imagem e a auto estima esmagadas, Dourado perdeu a fé na vida, nas pessoas e na bondade do mundo e, sobretudo, nele mesmo, em suas potencialidades. Deixou de acreditar!


Seis anos depois, quando estava no fundo do poço, veio-lhe o convite para participar do BBB10 e concorrer ao prêmio de um milhão e quinhentos mil reais. Entrou com sua falta de fé naquele mesmo lugar onde começara a sua via crucis, em 2004. Foi rejeitado, maltratado, espezinhado e perseguido pelos colegas do jogo. Apenas duas mulheres (Joseane e Lia) e um rapaz (Cadu) o acolheram e impediram que desistisse, pressionado pela hostilidade da maioria. Naquele dia, Dourado chorou diante de Lia, Cadu e Cacau.


Nunca esqueci a frase de Lia que parece ter erguido aquele gigante que estava em prantos e disposto a não mais sofrer sob a tirania e a mesquinharia dos demais concorrentes: “Essa sua cara de mau e suas tatuagens não me enganam. Eu sei que você é um cara legal”. Dourado ficou e começou a ACREDITAR NELE, em LIA e em CADU. Recuperou a Fé na luta e na tenacidade, acreditou que poderia ganhar aquele jogo, como se estivesse num tatame com 17 pessoas dispostas a jogá-lo na lona. E Venceu! Venceu e saiu daquela casa com a imagem e a auto estima resgatadas, com o passado negativo apagado da memória e, mais que tudo, ciente de que se tornou um ser humano bem melhor e bem mais experiente. Tudo porque ACREDITOU.


Como Dourado, nós também deixamos, muitas vezes, de acreditar, de ter fé! Aprendi, desde muito novinha, a cultivar a fé, a acreditar na imensurável força da nossa energia mental, para a consecução dos nossos desejos puros e legítimos. Mesmo , quando as evidências apontam para o contrário das minhas aspirações, mesmo assim sustento a minha fé. Mesmo assim, afirmo a minha convicção de que tudo vai dar certo, que conseguirei realizar os meus propósitos.


Para reforçar esta minha inarredável fé no poder da palavra e da nossa energia mental, transcrevo, abaixo, um estupendo texto de Letícia Thompson, intitulado ADREDITE! Leiam e reflitam sobre o assunto. Quem sabe, daqui por diante vai acreditar mais! (Por Eva)




ACREDITE


Nossa visão do mundo é muito limitada. Mesmo nossos sonhos mais longínquos não nos permitem ir mais além, quando nosso eu está ferido. Quando tudo vai mal, quando não conseguimos acrescentar uma gota sequer de solução aos nossos problemas, começamos a ver o mundo como se tudo fosse cinza, como se tivéssemos o poder de ir apagando toda a beleza que está espalhada à nossa volta.


A questão nem é ser negativo, pois uma pessoa negativa o será sempre, mas é de ir deixando aos poucos de acreditar que algo possa ser mudado, simplesmente porque o tempo é interminável quando sofremos ou esperamos alguma coisa que tarda a chegar, ou ainda quando tomamos as dores dos outros acompanhando o movimento do mundo.


Mas mesmo quando tudo estiver cinza, quando as possibilidades de saída te parecerem como muros altos e instransponíveis, continue acreditando! Não deixe a peteca cair! Eu garanto que enquanto você se mantiver em movimento para construir alguma coisa, a esperança vai estar no seu caminho como uma vela acesa iluminando sua passagem. As esperanças só morrem quando morremos em nós, quando deixamos de acreditar que a vida é esse monte de vivências às vezes contraditórias, doloridas e belas ao mesmo tempo.


Jamais permita que a tristeza tenha símbolo do seu nome! Que ela venha quando não puder evitá-la, mas que fique justo o tempo necessário para ensinar alguma coisa. Pare um pouquinho e olhe a natureza: ela nunca desiste! As estrelas continuam brilhando apesar dos vendavais que agitam as nuvens.


A solidão às vezes é benéfica, quando nos faz refletir sobre nosso eu e nossas razões de vida. Mas não deve ser uma companheira inseparável que nos isola do mundo. Há mãos estendidas na nossa direção. Sempre há! Só não vemos quando olhamos pra trás ou quando fechamos os olhos. Mesmo quando não acreditamos em mais nada, Deus continua acreditando em nós. E Ele renova nossas forças, nos sustenta, nos mantém de pé, ainda se nossos joelhos se dobram e nos sentimos incapazes de continuar.


O importante é continuar essa aventura da vida, sem baixar os braços, sem baixar a cabeça. Temos todo o direito de cair, mas temos o dever de resistir. Ainda que a lua se consuma e o sol desapareça, que o infinito se desfaça e a terra se perca, há esperança para cada um de nós. Eu acredito! Eu sei que muitos e muitos precisam continuar acreditando que o melhor ainda está por vir. E desejo que acreditem! Acreditam sempre!


Obrigada ainda a todos vocês que juntam-se a nós agora e aos que já estão há tempos. Somos uma grande lista e se cada um de nós passar um pouco pelo menos de esperança a uma outra pessoa, o mundo já terá tido uma mudança positiva. Quando se trata de amor não devemos quebrar correntes, mas criá-las. Que esse dia e noite sejam abençoados. Que haja um brilho especial para cada um! Que o Senhor esteja presente a cada momento.


Autora: Letícia Thompson


1 de abril de 2010

Mazelas de uma jovem septuagenária!







Li há dias um texto escrito pela escritora portuguesa  Rosa Lobato de Farias que  me  deixou encantadíssima com a filosofia de vida da autora e com a sua maneira positiva de estar na vida. Identifiquei-me de forma absoluta com a atitude dela perante a passagem do tempo e o avançar da idade, ignorando a temporalidade cronológica  em favor de uma apaixonada adesão à temporalidade subjetiva, que nos permite viver, não como a  nossa aparência exterior exige, mas sim como a nossa realidade mental e a nossa energia vital determinam. 


 Tal atitude é de uma sabedoria indiscutível, faz bem a alma de quem tem a coragem e a ousadia de assumi-la. Posso afirmar isto, porque me vi projetada no texto de Rosa Lobato, pois, como ela, também assumo a idade que sinto ter e não a que a perversidade do espelho me mostra. Talvez por isto as pessoas não acreditem, quando declaro minhas décadas e, invariavelmente, digam:  Como pode?  Você aparenta ter muito menos! 


 Reconheço que a genética me deu uma ajudazinha, mas sei que é a energia e a exuberância que vêm de dentro de mim que me rejuvenessem, é a forma apaixonada como encaro a vida e o entusiasmo que invisto tudo quanto faço que passam a impressão de uma juventude que só existe no meu interior. Rosa Lobato de Farias faleceu no mesmo ano em que escreveu o texto - MAZELAS -  que hoje posto aqui.


Mazelas é uma Ode à alegria de viver, é uma grande lição de vida deixada para as pessoas que, equivocadamente, acreditam que a velhice é um tempo obscuro, que é apenas a antecâmara da morte, que representa a cessação de uma existência plena, prazerosa e ativa. Ela mostrou que não é assim, vivendo em plenitude sua juventude interior até a sua partida para uma outra forma de vida. ( Eva-RN)




MAZELAS


Aos 77 anos, como é natural, aparecem-nos todas as mazelas. Insignificâncias: uma dor aqui, uma dor ali, nas costas, na perna, na cabeça, uma pequena coisa na pele, na unha, no olho. Não ligo nenhuma. Porque a minha maior mazela é não acreditar que tenho 77 anos.


Eu bem me farto de dizer aos quatro ventos a minha idade e ver se interiorizo este facto, mas por dentro, estou na casa dos trinta, vá lá quarenta, mas não passo daí.   Setenta e sete anos? Que loucura!


Tenho sempre tantas coisas para fazer, para acabar, para ler, para escrever, tanto lugar para visitar, tanto museu para ver, e depois as mazelas – ai!-, mas vou. Porque tenho trinta anos e, evidentemente, tenho que ir.


Não tenho a noção de ser uma senhora velha. Digo Estava lá uma velhota, ou Imaginem que uma velha... Estou a falar de pessoas provavelmente mais novas que eu, mas não enxergo. Até quando irá durar esta idade subjetiva que não me deixa envelhecer tranquilamente?


Só quando me oferecem o braço (já caí na rua e parti a perna, mas nem assim...), quando me sentam no lugar de honra à mesa, quando me dão o assento da direita no automóvel, quando não me dirigem galanteios (que estranho!), acordo para a realidade: ai, é verdade, tenho 77 anos, que maçada...


Ultimamente, tive (ou tenho, ainda não percebi) cancro de mama. Como acho que Deus não me ia mandar uma doença só para me chatear, abri uma campanha de sensibilização (televisão incluída), para que as mulheres façam mamografias. Transformei a porcaria da doença numa coisa positiva.


Passei os trâmites habituais: operação, radioterapia, etc. Tudo pacífico. Ainda por cima, o médico disse-me que era pouco provável que o cancro me matasse, porque, na minha idade, as células já não são o que eram... Aí, sim?
Tenho 77 anos, que alegria!...


Autora: Rosa Lobato Farias
Escritora e atriz portuguesa.
(Não foi o cancro que matou Rosa, mas sim outras “mazelas” que nada tinham a ver com esta doença)